7 de junho de 2012

Nova York, bairro a bairro - Chinatown e Little Italy


Nova York é incrível, e isto você já deve saber. No entanto, poucos bairros são tão fascinantes, na minha opinião, quanto Chinatown.

Primeiro, porque é um mundo à parte, praticamente independente, no meio de Manhattan. Depois, por ser este mundo à parte, é lá que você verá cenas únicas, que não serão encontradas em nenhuma outra região de Nova York.


Se você se ativer apenas à região mais turística, isto é, ao longo da Canal Street, você dificilmente aproveitará Chinatown em sua plenitude, terá apenas arranhado a superfície deste bairro surpreendente e singular.


Na verdade, qualquer passeio que se preze por Chinatown deve começar pela Canal Street, onde você pode chegar com os metrôs N e R (linhas amarelas) ou 6 (linha verde), desembarcando na movimentadíssima estação de Canal St.


Assim que você sair da estação, já mergulhará em meio à multidão de turistas, muambeiros, residentes e tudo o mais que você puder conceber. Chinatown é uma explosão de cores, cheios, odores e produtos falsificados.
Neste trechinho da Canal Street, há uma porção de galerias e lojas com fundos falsos, onde você poderá comprar aquele último modelito de bolsa da Chanel ou da Louis Vuitton por um preço camaradíssimo, falsificada, é óbvio!


Todavia, se você der azar e passar por lá num dos dias das frequentes batidas policiais, há chances de encontrar fechadas várias destas lojas clandestinas.
Para encontrar os melhores preços nestas lojas, não há muita regra nem certezas. Você terá de pechinchar muito, enfiar-se em becos e vielas, desaparecer em fundos falsos em cantos escondidos ou meter-se em vans estacionadas em ruas escuras.

Para quem gosta de uma muamba, Chinatown é o paraíso!


Seguindo pela Canal St. em sentido leste, você avistará a Mulberry Street, onde está o que sobrou de Little Italy, um dos antigos redutos dos imigrantes italianos em Manhattan. Chinatown está em visível expansão, quase engolindo Little Italy e estendendo seus tentáculos para regiões ao redor.


Virando ao norte pela Mulberry St., há uma porção de restaurantes italianos com preços um pouco abusivos.
A comida não é ruim, adianto, mas acaba saindo um pouco caro para se comer massa, principalmente quando se pode optar por outros ótimos restaurantes italianos distantes deste reduto turístico e com preços melhores.


Explore a Mulberry St. e as quadras ao redor, depois retorne por esta mesma rua até a Canal Street e prossiga para leste até a Bowery Street, de onde você avistará o portal que dá acesso à Manhattan Bridge, e também o Mahayana Buddhist Temple, aberto gratuitamente para visitantes.


Este templo budista merece uma rápida visita e há uma lojinha no segundo andar. Quase sempre se pode ver um ou outro grupo de monges vestidos todos de laranja, uma cena bastante pitoresca.


E não se esqueça de tirar uma foto junto com os leões dourados da entrada!

Neste ponto, você tem duas escolhas: 1 - fazer como a maioria dos turistas e voltar embora para a estação do metrô e seguir para outro bairro, ou 2 - perder-se nas ruas de Chinatown e desvendar sua verdadeira essência.


Se você tiver este espírito aventureiro, a minha recomendação é que você siga pela Canal St. um pouco mais, passando pela Chrystie St. e virando ao sul pela Forsyth St., ao longo do viaduto que dá acesso à ponte. Na East Broadway, bem embaixo da ponte, há um mercadão chinês inacreditável, com pouquíssimos ou nenhum ocidental à vista.


Depois que você chegou neste ponto, é aí que o bicho pega! Pois você provavelmente já estará bastante desorientado, quase ninguém falará inglês por ali, então o negócio é se embrenhar e conquistar as ruas confusas de Chinatown.


O melhor é prosseguir para oeste pela East Broadway até chegar novamente na Bowery e, uma quadra ao norte, você encontrará, à esquerda, a Doyer St., uma ruazinha curta e que lhe dará a certeza que você foi teletransportado para a China.
Conta a História que foi nesta rua que ocorreu vários tiroteiros e assassinatos no começo do século XX por causa de disputas entre gangues chinesas. Hoje, é muito pacífica e impressionante.


Depois suba uma quadra ao norte pela Mott St. e vire à esquerda na Bayard St. até chegar ao Columbus Park.

Esta é a cereja do bolo de qualquer volta por Chinatown. Se você for neste parque aos domingos, encontrará uma legião de chineses cantando, fazendo tai-chi ou jogando jogos tradicionais. Os chineses idosos vão lá para se divertir e é um clima superfamiliar.
Mesmo se você for o único ocidental por lá, ninguém vai lhe olhar com cara feia, pelo contrário, alguns ficarão curiosos e sorrirão para você.


Por fim, é só subir uma quadra para o norte que você estará de volta à loucura da Canal St., após ter passado pelos mercados e peixarias da região.

Este passeio completo pode ser feito em umas duas horas, ou muito mais se você resolver parar para comprar bugigangas. Mas eu lhe asseguro que será um dos passeios mais curiosos que você fará por Nova York.


Importante: favor ler as Perguntas Frequentes - FAQ.


3 comentários via BLOGGER
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  1. Quantas descrições detalhadas para um trajeto lindo! ADOREI o post! Enfim, adoro a big apple e sou apaixonada pela vida cultural de lá. Andei comprando umas entradas pra broadway e esses passeios "prontos" aqui : http://www.newyork60.com/language/pt-br/home , procurei com descontos e acho que os preços são honestos...
    Mas o melhor mesmo é bater perna e conhecer cantinhos! Um abraço e com certeza voltarei em breve.

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  2. Parabens pelo post!!! Super rico em detalhes e informações! Obrigada!

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